Tradução ao árabe das obras de santo Agostinho a pedido de várias universidades islâmicas

Posted by Padre Pablo Panedas on 30 January 2013

Janeiro 2013 / ITALIA

Professores universitários do Cairo (Egito), Túnez, Argélia e outros países islâmicos que participaram há uma década no Diálogo Internacional de Argel sobre santo Agostinho reconheciam o Doutor Africano como próprio. Daquele Congresso nasceu o projeto que acaba de ser iniciado neste começo de 2013. Uma web em sete idiomas, dentre eles o árabe, para dar a conhecer o espírito e o pensamento do Bispo de Hipona: www.santuariomadonnetta.it

OAR / Pablo Panedas

O diário oficial da Santa Sé, L’Osservatore Romano, de 4 de janeiro próximo passado, em nota assinada por Francesco Ricupero, dava conta desta iniciativa digital. O jornalista chegou mesmo a reproduzir algumas das expressões que o agostiniano descalço Eugenio Cavallari, incentivador do projeto, havia empregado em sua conversa telefônica: “Nosso objetivo é contribuir para desbloquear com Agostinho o diálogo entre o mundo muçulmano e Ocidente, em vista de um novo futuro de unidade e paz”.

A página em árabe começou a ser desenvolvida graças ao esforço conjunto de uma equipe de tradutores, religiosos e leigos, coordenada pelo padre Cavallari. A primeira seção recolhe orações do Santo, todas elas extraídas de suas Confissões; orações que expressam profundamente o coração humano e, como consequência, podem ser partilhadas por pessoas das mais diversas posturas de fé. Em poucos meses, será acrescentada uma segunda seção centrada na busca de Deus. Assim, com as palavras de Agostinho, presentes em centenas de textos seus, se fará patente a fome de Deus característica do homem de hoje. Logo em seguida virá uma terceira parte sobre o problema de Deus no homem e o do homem em Deus, também a partir das Confissões. E haverá uma quarta parte, que recolherá o magisterio do Doutor de Hipona sobre problemas concretos sentidos especialmente em nossos dias: a pessoa, a família, a sociedade…

Países muçulmanos

“O futuro dos agostinianos é o futuro de Agostinho”: assim resume sua intuição Eugenio Cavallari. Este agostiniano descalço italiano recolheu a luva lançada ao Ocidente, há doze anos, por estudiosos das principais universidades muçulmanas do norte da África, por ocasião do Colóquio Internacional de Argel (1-7 abril 2001) sobre Agostinho, organizado pelo presidente da Argélia, Abdelaziz Bouteflika. 
Cavallari era, então, prior geral de sua Ordem, um dos três ramos da família agostiniana (Agostinianos, Agostinianos Recoletos e Agostinianos Descalços), e se sentiu impactado pelo apelo dos representantes das universidades islâmicas: “Traduzi-nos ao árabe as obras de Agostinho, de modo que possam ser conhecidas nas nações de área muçulmana”.
Os professores universitários do Cairo (Egito), Túnez, Argélia e de outros centros de estudos do mundo muçulmano reconheciam, como próprio, o Doutor Africano, nascido em Tagaste (Túnez) no ano 354 e morto em Hipona, (atual Annaba, Argélia) no ano 431.
Daquele Congresso nasceu o projeto que acaba de ser posto em andamento na web do santuário da Madonnetta (Gênova, Itália): www.santuariomadonnetta.it. A página acaba de ser lançada, no inicio de 2013, em sete línguas, inclusive o árabe. Nasce da convicção de que Agostinho continua sendo mestre de vida e guia para o homem de hoje, inclusive fora do cristianismo.
É a convicção que demonstrada pelo próprio presidente da Argélia, Bouteflika, em seu discurso ao Colóquio: “Para começar este longo diálogo entre cristãos e muçulmanos, que porta melhor e que melhor iniciativa que conhecer a Agostinho?… Os muçulmanos nos pomos sem prejulgamentos à escuta atenta e ao estudo de Agostinho… Seu estudo é de uma atualidade candente para fazer-nos progredir juntos, dentro de nossa diversidade, para esse mundo pacificado, de justiça e fraternidade, ao qual aspiram, desde a aurora dos tempos, os homens de boa vontade”.

Russo e mandarim

E ainda vai mais além o objetivo do agostiniano descalço Cavallari e do Centro da Madonnetta (Gênova, Itália). Tal é sua convicção da atualidade de santo Agostinho como facilitador de diálogo a nível humano e religioso, que seu projeto prevê a elaboração de páginas em russo e em mandarim, as outras duas grandes línguas que estão à margem da cultura ocidental. 
Eugenio Cavallari está convencido de que este é o principal serviço que hoje se pode esperar de toda a família agostiniana. Segundo ele, a razão de ser dos agostinianos na Igreja e no mundo atual, é dar a conhecer o pensamento e o espírito daquele a quem têm por pai e fundador. E no exercício desta missão está a chave de sua renovação.